Manifesto Público em Defesa do Patrimônio Histórico

 

Gabinete Episcopal

Dom Guilherme Calixto

Manifesto Público em Defesa do Patrimônio Histórico

Belém, 08 de agosto de 2025

Aos Excelentíssimos Deputados(as)
Câmara dos Deputados – Brasília – DF

Excelentíssimos Senhores Deputados,


Não posso, em consciência e dever pastoral, permanecer calado diante do conteúdo do Decreto nº 001/2025-DFT, que autoriza a derrubada do Muro de Tabosa.


Ainda que a retórica do decreto invoque unidade, fraternidade e superação de divisões, não posso deixar de registrar que tais metas podem – e devem – ser atingidas sem a mutilação da memória histórica. O Muro de Tabosa, independentemente de sua origem conflituosa, tornou-se um marco testemunhal de décadas de história. Sua destruição não é um ato de libertação, mas de apagamento cultural.


Como historiador e bibliotecário, alerto: a supressão de símbolos do passado não constrói um futuro sólido. Pelo contrário, gera o risco de uma sociedade desmemoriada, incapaz de compreender os próprios erros para não repeti-los. Como bispo, reafirmo que a reconciliação não exige o extermínio dos vestígios, mas sim a ressignificação dos mesmos.


Ressalto que o referido muro está há anos sem modificações, encontra-se preservado e não apresenta risco à segurança pública. A justificativa de sua derrubada, portanto, carece de fundamento técnico e histórico. O que se vislumbra é mais um gesto político de impacto imediato do que uma decisão responsável voltada ao bem comum.


Por isso, apelo publicamente a Vossa Excelência para que interrompa tal medida e proponha, em seu lugar, a criação de um Memorial da Unidade Tabosuda junto ao muro, onde a população possa celebrar a paz sem destruir o testemunho das lutas que a precederam.


Destruir o muro é fácil; preservar e dar-lhe novo sentido exige coragem verdadeira.

Subscrevo-me com firmeza e responsabilidade pastoral,


Dom Guilherme Calixto
Bispo da Santa Igreja
Doutor em Biblioteconomia e História


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